Conheça o desenhista Will Eisner: um ícone dos quadrinhos

Nova York, Brooklyn, 6 de março de 1917: sem que o mundo se desse conta, nascia nessa data um artista que, ao longo de sua vida, influenciaria nomes como Art Spiegelman — vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo pelo seu trabalho Maus — e Alan Moore — é, aquele mesmo de “V de Vingança”, “Watchmen”, “Batman: A Piada Mortal” e tantos outros.

Estamos falando, é claro, do desenhista Will Eisner!

Você provavelmente já ouviu falar da importância de Eisner, mas sabe por que ele é considerado o pai dos graphic novels? Então vem com a gente que você vai descobrir:

 

Começando a todo vapor

Os primeiros trabalhos de Eisner aconteceram quando ele ainda estava no ensino médio, colaborando com o jornal da escola — onde, aliás, trabalhou com Bob Kane, simplesmente o cara que criou o Batman. Começou bem, hein?

Em 1935, ele entrou para a Arts Students League a fim de estudar pintura e anatomia, mas a verdade é que muito do seu estilo ele aprendeu sozinho. Em 1936, o quadrinista entrou para a equipe da revista WOW What a Magazine!, mas o sonho durou pouco: no ano seguinte, a revista foi fechada.

Claro que esse não foi o fim da carreira de Eisner. Com o fechamento da revista, ele se juntou ao seu diretor, Jerry Iger, e os dois fundaram seu próprio estúdio, o Eisner & Iger. Aparentemente, eles guardavam a criatividade para os quadrinhos.

“O espírito” do desenhista Will Eisner dá as caras

Em 1940, depois de uma separação amistosa (na medida do possível), o estúdio foi desfeito. O motivo? Nas palavras do próprio quadrinista, ele nunca foi capaz de “resistir à oportunidade de escalar novas montanhas criativas”.

Com o perdão do trocadilho, foi desse espírito aventureiro que nasceu o trabalho que o consagrou para sempre no mundo dos quadrinhos: “The Spirit”.

Publicado pela empresa Quality Comics, uma das mais importantes dos anos 1930, “The Spirit” foi inovador por uma série de motivos. Em primeiro lugar, a história trazia um protagonista que, apesar das máscaras e luvas, não era um super-herói, contrariando as tendências da época. Mas o principal era o inovador trabalho do desenhista Will Eisner.

Além de um traço realístico, Eisner também foi um mestre em fazer texto e imagem trabalharem juntos para contar a melhor história possível, contrariando o formato de até então, em que os dois elementos praticamente “disputavam” importância na página.

Nascem os graphic novels

O ano de 1978 também foi um ponto de virada na história dos quadrinhos. Depois de 3 anos de trabalho, Eisner publicou “A Contract with God”, que tratava de assuntos como religião, sociedade e imigração a partir da história do personagem judeu Frimme Hersh.

Além de trazer maturidade para os temas dos quadrinhos — que, na época, eram ainda mais considerados “coisa de criança” do que hoje — com “A Contract with God”, Eisner também introduziu o termo graphic novel (ou romance gráfico). Assim, ele deu o pontapé inicial para que a arte sequencial deixasse de ser vista como entretenimento de pouca importância e passasse a ser valorizada pelo que é: arte.

O esforço não foi em vão: “The Name of The Game”, outro de seus trabalhos, foi premiado, e o trabalho Fagin The Jew, que reconta a história do personagem de Charles Dickens, foi amplamente aclamado pela crítica.

Com tudo isso, já deu para entender o tanto que o desenhista Will Eisner impactou (e impacta até hoje) o mundo dos graphic novels, não é? Aliás, isso já está claro desde 1988, quando foi criado o Prêmio Eisner, concedido todo ano durante a Comic-Con de San Diego ao melhor quadrinho.

E como não podia deixar de ser, o próprio Eisner já ganhou o prêmio Eisner. Precisa dizer mais alguma coisa?

 

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